quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Murilo Mendes


Murilo Mendes tem sua poesia surpreendente. Provoca um estranhamento devido a linguagem fragmentada, as imagens insólitas, a visão messiânica do mundo e a simbologia própria que apresenta.
Busca também destruir para reconstruir e subverter a ordem das coisas instituídas para reorganizá-las de acordo com leis próprias.
Em sua poesia futura caracterizava-se pela dilaceração do eu em conflito, a presença constante de metáforas e símbolos, a inclinação para o surrealismo e os contrastes entre abstrato e concreto, lucidez e delírio, realidade e mito.


O homem, a luta e a eternidade

Adivinho nos planos da consciência
dois arcanjos lutando com esferas e pensamentos
mundo de planetas em fogo
vertigem
desequilíbrio de forças,
matéria em convulsão ardendo pra se definir.
Ó alma que não conhece todas as suas possibilidades,
o mundo ainda é pequeno pra te encher.
Abala as colunas da realidade,
desperta os ritmos que estão dormindo.
À guerra! Olha os arcanjos se esfacelando!


Um dia a morte devolverá meu corpo,
minha cabeça devolverá meus pensamentos ruins
meus olhos verão a luz da perfeição
e não haverá mais tempo.







Feito por Daniel Franca Bourguignon

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